Saúde Fé que cura
Pesquisa de Harvard e Stanford respalda a eficácia da fé contra a dependência química
Diante dos resultados, os pesquisadores advogam pela integração da dimensão espiritual nos protocolos de atendimento a usuários de substâncias.
26/02/2026 11h02
Por: Redação Fonte: Good Prime
Foto divulgação

Uma investigação científica de grande escala, divulgada recentemente, apontou que a fé e a espiritualidade podem atuar como fatores significativos tanto na prevenção quanto no tratamento da dependência química. O trabalho, publicado no periódico JAMA Psychiatry, foi desenvolvido por equipes das renomadas universidades Harvard e Stanford, nos Estados Unidos, e envolveu a análise de dados de mais de 500 mil indivíduos.

A metodologia do estudo consistiu na revisão de diversas pesquisas anteriores que mensuravam elementos como a assiduidade a ritos religiosos, a participação em atividades espirituais e o grau de relevância atribuído à fé na vida dos participantes. Esses indicadores foram então cruzados com dados epidemiológicos sobre o uso problemático de drogas lícitas e ilícitas.

As conclusões indicam que o engajamento espiritual está vinculado a uma diminuição de 13% na probabilidade de desenvolvimento de padrões nocivos de consumo, como a dependência química. Entre aqueles que participam de cerimônias religiosas com periodicidade semanal, o efeito protetor é ainda mais pronunciado, alcançando uma redução de 18% no risco.

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Os autores do estudo utilizam a metáfora de um “escudo” para descrever o papel da fé, especialmente entre os mais jovens, sugerindo que ela pode retardar o primeiro contato com entorpecentes e dificultar a evolução para quadros de dependência persistente na maturidade.

A pesquisa também corrobora a efetividade de programas de recuperação baseados em princípios espirituais, como os que adotam a noção de um “poder superior”, exemplificados por grupos como os Alcoólicos Anônimos (AA). Investigações complementares no campo da neurociência indicam que a prática espiritual pode modular circuitos cerebrais envolvidos no manejo do estresse e no mecanismo de recompensa, ambos cruciais nos processos de reabilitação.

Implicações para a Abordagem Terapêutica
Diante dos resultados, os pesquisadores advogam pela integração da dimensão espiritual nos protocolos de atendimento a usuários de substâncias, sempre resguardando a liberdade de crença e a pluralidade religiosa dos pacientes. Como orientação prática, sugerem que os profissionais de saúde incluam em suas anamneses questões como: “A espiritualidade ou a religião têm importância para você quando pensa na sua saúde?” ou “Gostaria de conversar com alguém sobre questões espirituais?”.

Adicionalmente, o estudo incentiva a formalização de parcerias entre o sistema público de saúde e organizações religiosas, visando potencializar as estratégias de prevenção e os programas de tratamento da dependência química.

Brasil e Mundo

A relevância da pesquisa é sublinhada por estatísticas globais alarmantes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de álcool e outras drogas resulta em mais de 3 milhões de óbitos anualmente em todo o planeta.

No contexto brasileiro, os dados também são preocupantes. Em 2023, foram registradas aproximadamente 9 mil mortes por overdose. Entre os anos de 2005 e 2015, os gastos do Ministério da Saúde com a assistência a dependentes químicos ultrapassaram a cifra de R$ 9 bilhões, evidenciando o peso econômico e social do problema.

Os responsáveis pelo estudo ponderam que os benefícios observados podem estar associados a variáveis como a existência de redes de suporte mais robustas, um maior sentimento de pertencimento comunitário e a adoção de rotinas de vida mais organizadas, características frequentemente encontradas em ambientes religiosos.

Apesar da consistência dos achados, eles destacam tratar-se de correlações observacionais, e não de uma relação de causa e efeito comprovada de forma definitiva. Com: GospelMais.