No último dia 7 de maio, autoridades invadiram simultaneamente cinco igrejas na China. Com a interrupção do culto de domingo, presbiteros, pregadores e membros foram retirados do local e levados à delegacia para prestar depoimento.
Policiais e outras autoridades invadiram as congregações da Igreja Reformada da Bíblia de Guangzhou. O pastor Huang Xiaoning estava pregando na filial de Yuexiu quando a polícia chegou. Eles pediram ao líder e a outros crentes que parassem de adorar.
“Alugamos este local para o culto de domingo. Você não tem o direito de invadir este lugar”, disse o pastor.
Os funcionários do Gabinete para os Assuntos Religiosos local tinha uma cópia do Regulamento dos Assuntos Religiosos: “Estou a fazer cumprir a lei. Eu tenho o direito de inspecionar este lugar. Esta é uma aplicação conjunta da lei com o Departamento de Segurança Pública”.
O pastor Huang afirmou que a invasão era uma “intrusão ilegal”, pois “os cidadãos da República Popular da China desfrutam da liberdade de crença religiosa”.
Portanto, o líder alegou que os regulamentos de Assuntos Religiosos violaram a Constituição. Lin, do Departamento de Assuntos Religiosos.
Segundo a China Aid, “a Constituição determinou que os cidadãos gozam da liberdade de crença religiosa, mas não determinou que esses cidadãos gozem da liberdade de atividades religiosas”.
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Policiais interrompendo o culto na igreja. (Foto: Reprodução/China Aid)
Os cristãos gravaram vídeos da ação e alguns policiais tentaram bloquear as câmeras de seus celulares, enquanto outros disseram aos crentes que não tinham permissão para filmar.
Os membros da igreja informaram que o objetivo dos vídeos era a supervisão da aplicação da lei, então os oficiais permitiram que eles gravassem.
Interferência religiosa
Um dos cristãos presentes no culto desafiou a polícia dizendo: “Por que você não vai atrás de criminosos? Por que vocês vêm atrás de nós? Somos todos cidadãos cumpridores da lei”.
“Não interferimos em suas crenças religiosas”, disse um funcionário do Departamento de Assuntos Religiosos.
O crente respondeu: “Você está interferindo com nossas crenças religiosas agora”.
De acordo com a China Aid, o proprietário do local vetou a permanência da igreja em seu terreno pois não tinha certeza se a igreja infringiu alguma lei.
O pastor Huang respeitou sua decisão e pagou pela hora que permaneceram utilizando a área, e também pediu o reembolso das quatro horas previamente combinadas.
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Cristãos na delegacia após a invasão do culto. (Foto: Reprodução/China Aid)
Cristãos na delegacia após a invasão do culto. (Foto: Reprodução/China Aid)
Depois que a polícia registrou todos os depoimentos, a maioria dos crentes foram liberados.
A perseguição não parou a igreja
A Igreja Reformada da Bíblia de Guangzhou se recusou a se juntar à Igreja das Três Autonomias da China.
Com isso, em julho de 2018, o Bureau de Assuntos Religiosos e agentes de segurança nacional tomaram o prédio da igreja.
Em novembro do mesmo ano, o pastor Huang foi detido por cinco dias em uma prisão acusado de obstruir a aplicação da lei.
Contudo, os cristãos não pararam de se reunir. Toda semana eles mudavam de local, realizando cultos de domingo em diferentes restaurantes.
Apesar da perseguição, o número de crentes aumentava gradativamente.
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